domingo, 13 de dezembro de 2009

Se eu fosse (Dani)

se eu fosse um mês: eu seria janeiro.
se eu fosse um dia da semana: eu seria a sexta-feira.
se eu fosse uma hora do dia: eu seria às 07:00 da noite.
se eu fosse uma estação do ano: eu seria o verão.
se eu fosse um planeta: eu seria a Terra.
se eu fosse uma direção: eu seria o norte.
se eu fosse um móvel: eu seria uma cama.
se eu fosse um pecado: eu seria a gula.
se eu fosse um sentido: eu seria o tato.
se eu fosse uma pedra: eu seria uma esmeralda.
se eu fosse uma planta: eu seria um cacto!
se eu fosse uma flor: eu seria uma azaléa.
se eu fosse um clima: eu seria brisa fresca.
se eu fosse um prato: eu seria um temaki.
se eu fosse um instrumento musical: eu seria um violino
se eu fosse um elemento: eu seria o ar.
se eu fosse uma cor: eu seria azul.
se eu fosse um animal: eu seria um esquilo.
se eu fosse um som: eu seria uma gargalhada.
se eu fosse uma música: eu seria "Resposta ao Tempo".
se eu fosse um sentimento: eu seria o carinho.
se eu fosse um lugar: eu seria Floripa.
se eu fosse um sabor: eu seria picanha.
se eu fosse uma palavra: eu seria alegria.
se eu fosse um verbo: eu seria tentar.
se eu fosse um objeto: eu seria uma canetinha colorida.
se eu fosse uma parte do corpo: eu seria os olhos.
se eu fosse um número: eu seria o 14.
se eu fosse um símbolo: eu seria uma mandala.

Copiei do site: http://passarinhosborboletas.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

11/12/2009 (Lígia)

Hoje eu já senti tanta coisa que eu to até cansada, eu fico brava e cansada e meu bom humor insiste em voltar só pra eu brigar de novo comigo mesma e ficar cansada de novo! Mais metafórico impossível! 2009 foi um ano muito longo, hoje o dia foi muito longo. Post desconexo porque se eu tentar fazer sentido vai ficar pior, e eu preciso escrever porque se eu fico muito tempo sem postar as expectativas aumentam e fica cada vais mais difícil, e vira uma grande bola de neve. Dessa vez eu culpo o Angus, que me fez querer planejar um post e isso não existe, eu só sei escrever se for de uma vez, se for vomitando, se for atropelando os pensamentos com palavras. A confusão é tanta que o intervalo são segundos, tava há alguns segundos atrás rindo que nem uma idiota da história do “molecão” sendo Lígia e Bruno da maneira mais Lígia e Bruno que a gente consegue ser, falando em códigos, sendo bestas, de um jeito que só existe o nosso jeito no mundo, e quando correram alguns segundos todo o caos e as minhas costas que começam a doer e eu fico me sentindo uma velha, tudo porque eu não sei detalhar aquele meleca de serralheria e fica difícil fazer o que eu tenho que fazer se eu fico sendo desviada e fico tapando buraco dos outros, que besteira, escrevendo assim parece que é uma coisa idiota e eu nem me lembro mais porque minhas costas doeram, acho que é a tristezinha das costas tarem doendo mesmo eu tendo dormido no Lux Bonell, e isso nunca aconteceu, mas essa noite foi uma noite de estréias, não das melhores, eu sei, mas como a Dani sempre diz, isso já me aliviou depois que eu conversei com meu irmão, amigos homens são uma necessidade pra uma mulher, eles deixam tudo mais leve! E eu to escrevendo isso que nem uma maluca sem nem olhar pra trás, quanto mais rápido o Bob Dylan canta no meu ouvido mais rápido eu digito! E no fim das contas o que importa é que o bom humor insiste em voltar, e se isso também for metafórico, é tudo que eu preciso saber por enquanto.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um banho de chuva (Dani)



Acabei de chegar em casa depois de um ligeiro banho de chuva. Acabei de fazer uma amiga no ônibus, ela me conhecia quando eu tinha 10 anos e estudou comigo. E ela vai casar esse mês! Foi bom ter ficado feliz pelo casamento de uma desconhecida, apesar disso ser absurdamente distante da minha vida.

E o que fez meu banho de chuva mais feliz foi estar voltando pra casa com as passagens de Florianópolis compradas, e as reservas da pousada feitas! É muito boa a sensação de familiaridade que eu sinto com as pessoas de lá, mesmo com uma simples conversa ao telefone. Saber que em poucos dias estarei perto dos pescadores e dos barcos, dos pratos gigantescos de camarão e das pranchas e do mar.

A maior lição que a portuguesinha me ensinou foi: Se isso não está mais fazendo sentido, porque insistir? E é verdade, porque insistimos? Por hábito, por comodismo ou por uma vontade real? Não sei mais, não tenho essas respostas certas dentro do meu coração, o que quer dizer muitas coisa pra mim. E muita coisa não está mais fazendo sentido, quando olho de frente.

Então talvez meu hábito me leve a certas coisas. A certos telefonemas sem sentido, a certos apegos sem explicação... Mas é esse mesmo hábito que me faz esquecer de tudo isso, quando tenho a passagem pra Florianópolis guardadinha na minha carteira.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Vamos ver o sol nascer (Dani)


Chega dezembro, é inevitável. Minha vontade de fazer as malas cresce, minha ânsia por praia aumenta a ponto de eu contar os dias para as férias chegarem.

Chega dezembro e junto também vem a vontade de fazer planos. Eu tenho sonhos bobos, que são tão fáceis de serem realizados que eu não sei como ainda não os realizei. Essas férias vou pedir pra um pescador pra ir pescar com ele, às quatro da manhã. Vou fazer uma aula de surf, junto com as crianças de oito anos. Vou apostar corrida de sandboard.

Às vezes, em dias feios como hoje, eu sinto vontade de ir embora para a Grécia. Ficar lá uns meses, vendo a vida e vivendo outras coisas. Mas grego irrita demais, e eu não quero me irritar com a Grécia. Talvez em julho eu vá pra lá, ficar uns dias.

Esse ano eu trabalhei demais, talvez mais que todos os outros anos juntos da minha vida. Fico feliz de ter construído coisas, mesmo que tenha me deixado um pouquinho de lado algumas várias vezes. Sinto que deixei de lado minha família também, mas acho que tudo fez parte do processo. Nunca tinha realizado tantas coisas como em 2009, e parece que isso é só o começo.

Queria tirar seis meses de 2010 pra mim. Pra me conhecer, pra conhecer lugares, fotografar, pensar, andar por aí. Ver novos mercados, novos olhares, novas frutas pela manhã. Criar bons hábitos, como me ensinou um havaiano no começo de 2009. Nunca quero me rotular ou deixar que coloquem rótulos nas minhas coisas e na minha vida.

Quero ir pro Chile ver o deserto de novo, nadar no Pacífico de novo. Conhecer Santiago, a oficina central do Teto, ir pra Machu Picchu. Quero ver, ver, ver. Quero saber sempre mais sobre quem eu sou pra que eu nunca esqueça que eu nasci com a capacidade de acreditar nas coisas. Quero ver pra não me deixar soterrar pelo trabalho e pelas "responsabilidades" que te jogam a partir de um certo momento na vida.

Quero ver pra continuar com a certeza de que cada comportamento seu é uma escolha, e cada direção a se tomar na vida também. Que venha o verão de 2010.

What's the history? (Dani)

Need a little time to wake up
Need a little time to rest your mind
You know you should so I guess that you might as well
What's the story, morning glory?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ouve DMB que passa, Dani (Dani)

"I find sometimes it's easy to be myself.
Sometimes, I find it's better to be somebody else." DMB

"Celebrate we will
'cause life is short but sweet for certain" DMB

sábado, 28 de novembro de 2009

Eu sei, mas não devia (Dani)

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti